Apresentação do Projeto Corpo Estranho junto com a Cia de Repertório da UFRJ (Projeto Memória da Dança) em 25 de agosto de 2015.
Grupo de pesquisa e composição coreográfica que busca um diálogo interdisciplinar entre a Dança e as Artes Visuais a partir de atravessamentos entre corpo e imagem.Transita por um imaginário onde o “estranho” aparece através de temas como a fragmentação e a deformação do corpo.
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Projeto Corpo Estranho no Fest-Fic RJ
Apresentação do
Projeto Corpo Estranho no evento
UERJ em Casa – Conexões Dançantes, no âmbito da programação do Festival
Interuniversitário de Cultura, 7 julho de 2015. Trechos do espetáculo "Inacabamentos e Continuidades"
FICHA TÉCNICA
Direção e Coreografia: Aline Teixeira
Intérprestes-Criadores: Dandara Patroclo, David Abreu, Jéssica Souza Santos Queiroz, Raquel Santorsula, Tamara Catharino, Wagner Cria.
Trilha Sonora: Beispiel zwei – Alva Noto e Mika Vainio; Mikromakro 2 – Alva Noto.
Cenário e Figurino: Vanessa Alves
Produção: Jéssica Ramos
Fotografia: Acervo pessoal
MOSTRA MAIS 2015
Estudo sobre Inacabamento e Continuidade trata-se de um trecho coreográfico do espetáculo Inacabamentos e Continuidades e foi apresentado na Mostra Mais de 2015, evento realizado pelo Curso de Direção Teatral da UFRJ, no Teatro Vianinha na ECO/UFRJ, dia 8 de julho de 2015.
Neste trecho coreográfico, temos duas cenas do espetáculo. A primeira que chamamos de "Floresta" traz os intérpretes-criadores de pé, unidos e de costas no fundo da cena, realizando movimentos que focalizam principalmente a parte superior do corpo: membros superiores e coluna. Os movimentos lentos e sutis, são por vezes interrompidos por outros amplos e recortados. Troncos rígidos e braços-galhos retorcidos se movem ao sabor de ventos respirados, ora brisas, ora vendavais. A segunda cena denominada "Cardume", traz o grupo unido porém em bases baixas, (apenas uma intérprete se desloca em pé) onde seus membros superiores e inferiores se enraizam no chão e deslocam os corpos em uma trajetória unidirecional. Opondo-se a primeira cena, os gestos são rápidos e fragmentados, construídos a partir de movimentos das partes do corpo executados sucessivamente, recortando o espaço de maneira "labiríntica". O cenário e o figurino, frutos de uma parceria interdisciplinar com a artista Vanessa Alves, na época de sua criação, estudante do curso de Cenografia da UFRJ, complementa e dá acabamento à pesquisa estética do trabalho. O Cenário são esculturas que plasticamente traduzem o
pensamento de enraizamento, como raízes que abraçam o espaço cênico e
os dançarinos, misturando-se e confundindo-se com eles, repousando sobre o chão e ao mesmo tempo movimentando–se,
inspiram um sentimento de provocação do movimento na imobilidade.
FICHA TÉCNICA
Direção e Coreografia: Aline Teixeira
Intérprestes-Criadores: Dandara Patroclo, David
Abreu, Jéssica Souza Santos Queiroz, Raquel Santorsula, Tamara Catharino,
Wagner Cria.
Trilha Sonora: Beispiel
zwei – Alva Noto e Mika Vainio; Mikromakro
2 – Alva Noto.
Cenário e Figurino: Vanessa Alves
Produção: Jéssica Ramos
Fotografia: Acervo pessoal
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Inacabamentos e Continuidades - Espetáculo
Inacabamentos e Continuidades foi apresentado como "work in progress" no Loft, espaço alternativo do Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, nos dias 20 e 21 de junho de 2015.
O espetáculo
Inacabamentos e Continuidades trata-se do seguimento
de uma pesquisa sobre fragmentação corporal na dança, que se apoiou em
possibilidades dialógicas entre corpo e imagem. Inicialmente pesquisou-se o
artista alemão Hans Bellmer e suas bonecas desarticuladas, e experimentou-se
corporalmente alguns dos princípios presentes em sua obra como os de
duplicação, deslocamento, reversibilidade, entre outros. Atualmente, o processo
continua tendo a imagem das árvores como foco. Além das analogias possíveis
entre os corpos das árvores e dos seres humanos pelas suas formas e funções,
tem-se debruçado em possibilidades de exploração de um universo imagético
singular para a construção gestual e cênica que transita entre o repouso e o
movimento.
Ficha Técnica
Direção e Coreografia: Aline Teixeira
Intérpretes-pesquisadores: Dandara Patroclo, David Abreu, Jéssica
Queiroz, Raquel Santorsula, Tamara Catharino, Wagner Cria.
Cenário/Figurino/Iluminação: Vanessa Alves
Confecção de figurino: Maria Helena Penalva e Daniele Gabriel
Trilha Sonora: Mikromakro2 - Alva Noto, Uniform – Alva Noto, SOTM –
Teebs.
Edição de som: Wagner Cria
Produção: Jéssica Ramos
Programação Visual: David Abreu
Fotografias material gráfico: Ro Câmara
Fotografia espetáculo: Derick Abreu
Histórico do Projeto
Corpo Estranho é um projeto
artístico-acadêmico que tem como foco processos de construção gestual onde o
“estranho” aparece através de temas como a fragmentação e a deformação do
corpo. Propõe um espaço interdisciplinar a partir de atravessamentos entre
dança e imagem através de uma relação dialógica entre corpo, vídeo e
fotografia. Criado em 2012 e coordenado desde então pela Profa. Aline Teixeira
é composto por alunos do Curso de Bacharelado em Dança e da Escola de Belas
Artes, ambos da UFRJ e busca agregar pesquisadores de diversas instâncias
artísticas em um fazer comum.
Agradecimentos: Adriana Barcellos, Lara Seidler, Maria Inês Galvão Souza,
Vanessa Tozetto, Luciano Soares, Cláudio Barcellos, Andreia Renk, Renato
Machado, Samuel Abrantes, Derick Abreu, Daniel Soave, Equipe do Centro
Coreográfico da cidade do Rio de Janeiro, Departamento de Arte Corporal e PR-1.
sábado, 20 de junho de 2015
"Inacabamentos e Continuidades"
Tanto tempo
sem postar nada, mas trabalhando em cima de temas antes explicitados:
Fragmentação e Deformação. Dos corpos das bonecas para os corpos das árvores,
com suas imagens atravessando o corpo humano. Foram alguns meses perseguindo as
imagens das árvores e buscando investigar suas especificidades, analisando suas
formas, funções, características, etc.. Altas, baixas, largas, com flores,
frutos ou secas, exibindo seus galhos secos e torcidos, invadindo muros,
quebrando calçadas, andando... Sim. Existem árvores que andam!!! Elas estão em
toda parte, não só fisicamente, mas no imaginário de artistas como poetas,
pintores e escultores. Em filmes de ficção, desenhos animados e séries de
televisão elas se tornam símbolos de sabedoria e poder, podem falar, andar e
até lutar. Muitas sociedades cultuaram essas ancestrais, embora passem
despercebidas na atualidade.
A relação que
temos com as árvores é de total dependência, visto que elas fornecem, entre
outras coisas, o ar que respiramos. Delas depende nossa vida, nossa existência
como o cordão umbilical que alimenta o bebê no ventre da mãe. Dessa gestação
nasce hoje “Inacabamentos e Continuidades” fruto da partilha de experiências
entre pesquisadores distintos, que enraizaram-se profundamente nesse processo
criativo e que hoje habitam um mesmo espaço, uma floresta de sonhos. Gratidão à todos os envolvidos!
Link Divulgação ctrl+alt+dança: http://ctrlaltdanca.com/2015/06/19/oficina-e-resultados-de-empreitadas-artisticas-dao-o-tom-do-final-de-semana-no-rio-de-janeiro-e-em-salvador-ba/
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Dança e Fragmentação Corporal
No dia 11 de fevereiro tivemos a oficina "Fragmentação corporal na Dança: Possibilidades motoras criativas a partir da dissociação das partes do corpo", como contrapartida da residência do Grupo Corpo Estranho no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro. Experiência rica e renovadora, compartilhar com pessoas diferentes, que trazem um novo olhar, um frescor para uma pesquisa já em andamento. Por conta disso, posto aqui um artigo que traz um pouco de como são tratadas algumas questões sobre a fragmentação corporal e o corpo que dança na presente pesquisa.
https://centrocoreografico.wordpress.com/2015/01/21/oficina-fragmentacao-corporal-na-danca-possibilidades-motoras-criativas-a-partir-da-dissociacao-das-partes-do-corpo/
Abaixo, pequenos trechos de experimentos realizados na oficina:
Abaixo, pequenos trechos de experimentos realizados na oficina:
Dança e fragmentação corporal – a
experiência da dissociação das partes a partir do movimento sucessivo
O que se entende por
fragmentação? Como trabalhar o conceito de fragmentação em um corpo íntegro?
Como abordar esse tema a partir do corpo que dança?
Esse artigo faz um recorte
de uma pesquisa sobre a fragmentação corporal na dança e sua relação com as
Artes Visuais a partir de um diálogo entre corpo e imagem. Ao longo dessa
pesquisa, observamos dois diferentes modos de compreender a fragmentação. No
primeiro modo, a partir da ideia de autonomia, as partes do corpo são tratadas
como estruturas íntegras, independentes de um todo. No segundo modo, com a ideia
de dissociação, o corpo é reorganizado em sua estrutura, e suas partes podem
ser suprimidas, multiplicadas e deslocadas, afastando-o da imagem do corpo
humano como normalmente o conhecemos.
Neste recorte, é proposta uma
reflexão sobre as possibilidades de construção gestual na dança a partir da
ideia de autonomia, tendo como principal fonte de investigação a análise e a conscientização
das partes do corpo e suas potencialidades expressivas pelo viés dos Fundamentos
da Dança de Helenita Sá Earp.
Ao longo
da história da dança, percebe-se uma grande recorrência de padrões estéticos
que valorizam, principalmente, o belo e as formas proporcionais. Por isso,
quando se pensa no corpo que dança é ‘quase’ sempre natural imaginar um corpo
íntegro movendo-se de maneira leve e harmoniosa. Quando se parte, porém, do
pressuposto de uma dança ‘dita’ contemporânea, marcada desde a sua origem pela
valorização da singularidade dos corpos, pelo compromisso com a pesquisa e a
experimentação e pela diversidade das práticas envolvidas, entre outros
fatores, a potencialidade imaginativa acerca das possibilidades estéticas
aumenta consideravelmente. Pensar na fragmentação do corpo que dança, após um estranhamento inicial
que talvez suscite em imagens de um corpo desmembrado ou deformado, pode se
desdobrar em experiências distintas que vão desde o convívio ‘artístico’ entre
dançarinos deficientes físicos e não deficientes, até artifícios tecnológicos
que criam a ilusão da fragmentação do corpo. Dessa maneira, percebe-se que a
fragmentação corporal na dança não se trata de um tema inédito, embora pouco
recorrente. Atualmente, temos na dança contemporânea, práticas que permitem
diálogos com as mais distintas áreas do conhecimento, artísticas ou não,
ampliando assim, seu campo de atuação.
Os ‘Fundamentos da Dança’,
concebidos pela Professora Helenita Sá Earp e estudados nos Cursos de Graduação
em Dança da UFRJ, visam à construção de um corpo consciente apoiado em
princípios que desvelam diferentes técnicas pautado nos processos de
investigação criativa do corpo. Não se atendo, portanto, a modelos
pré-estabelecidos que enfatizam a reprodução do movimento através de uma lógica
do ‘passo de dança’ mas do conhecimento do corpo. Com intenções
artístico-pedagógicas, esses fundamentos são organizados em Parâmetros
Diversificadores da Ação Corporal: Movimento, Espaço, Forma, Dinâmica e Tempo
e, dessa maneira, através de um enfoque seletivo, auxiliam no entendimento dos
fatores que envolvem o movimento dançado. Tendo o corpo como referencial,
propõe um entrosamento entre esses parâmetros que auxiliam na estruturação de
um vocabulário corporal consistente e calcado na investigação criativa de seus
movimentos. A separação do estudo em parâmetros distintos visa sublinhar
especificidades contidas em cada um deles, mas compreende-se que eles estão em
constante relação, por exemplo: um movimento possui uma forma, está em relação
com o seu espaço de atuação e é realizado com a aplicação de determinada
intensidade da força em um intervalo de tempo, ou seja, cada movimento do nosso
corpo perpassa todos os parâmetros.
Não pretendemos, entretanto, aprofundar
cada um dos parâmetros mencionados. Aqui, daremos atenção principalmente ao
Parâmetro Movimento, por acreditar que este aproxima a fragmentação por
dissociação através do movimento sucessivo.
O Parâmetro Movimento
responsabiliza-se pelo estudo estrutural do corpo, compreendendo partes e todo,
apoiado nos estudos anatômicos que determinam os movimentos de cada
parte/segmento do corpo humano e deste como um todo. Faz analogia aos
movimentos do universo, translação e rotação, definindo os movimentos básicos
do corpo por translações (deslocamentos) e rotações (giros em torno de um eixo
fixo). Focaliza cada parte do corpo a fim de entender melhor seu funcionamento
e explora as possibilidades dos movimentos serem executados de maneira isolada
(um movimento e/ou uma parte) e combinada (mais de um movimento e/ou parte).
Determina duas maneiras de combinar os movimentos: sucessivamente, quando um
movimento é executado por vez em uma série encadeada e simultaneamente, quando
mais de um movimento é executado por vez. Estabelece ainda dois estados
corpóreos: o primeiro, denominado Liberado, caracteriza-se pelo deslocamento
das partes e/ou do corpo como um todo no espaço, onde o fluxo de movimentos é
perfeitamente visível; o segundo, denominado Potencial, caracteriza-se pela
pausa, pela imobilidade, mas, no corpo, existe um movimento latente, pulsante,
imperceptível a olho nu, mas a espreita de um devir. Dessa maneira, a pausa é
percebida pela não visualização de movimentos liberados.
O Parâmetro Movimento fornece
assim, ferramentas para investigar as possibilidades do corpo a partir dos
movimentos das partes, mas também do corpo como um todo. Helenita denominou
‘Famílias da Dança’ os movimentos de translação e rotação do corpo como um todo
e agrupados de acordo com aspectos específicos. Transferência, Locomoção,
Voltas, Saltos, Quedas, Elevações, caracterizam ações, determinadas por sua
própria nomeação, onde o corpo atua de forma global.
Percebe-se, assim a importância
deste Parâmetro na presente pesquisa, visto a sua proposição de uma
investigação detalhada que abarca tanto os pedaços como o corpo em sua
inteireza.
Pensando no conceito de fragmentação por dissociação das partes do corpo
(dissociar como separar), na dança podemos utilizar o termo dissociação para os
movimentos das partes do corpo que acontecem de maneira sucessiva. Isolando
cada parte do corpo nos movimentos articulares que cada uma pode executar, a
dissociação acontece com a “separação” na execução dos movimentos. Pode-se
assim denominar movimentação fragmentada aquela que se dá pelo movimento
sucessivo das/entre partes do corpo.
Visualmente, essa movimentação fragmentada aparece como se entre cada
movimento sucessivo existisse uma pausa no tempo, uma micro-parada na
trajetória do movimento executado. Essa pausa, porém, não necessariamente
interrompe o fluxo do movimento, que pode ser mantido, não só se a pausa for a
um tempo curto, mas se o corpo todo estiver integrado na execução do movimento,
trazendo uma ligação da energia aplicada ao mesmo. Sendo assim, o movimento
fragmentado pode ter interrupção em nível da sua trajetória visual, mantendo a
continuidade na aplicação da energia.
Nesse contexto, compreende-se que
fragmentação por dissociação acontece com a execução sucessiva das/entre partes
do corpo, exigindo uma grande consciência de seus movimentos e estimulando suas
possibilidades motoras criativas, sendo explorada como possibilidade estética e
pedagógica.
São muitas as maneiras de se pensar e explorar a fragmentação corporal na dança a partir da sucessividade na execução dos movimentos, partindo de combinações simples e chegando às mais complexas como no exemplo abaixo proposto na oficina:
1. Fazer uma sequencia de movimentos com os membros inferiores, de forma simétrica e ao mesmo tempo;
2. Repetir a sequencia de movimentos, de maneira sucessiva, alternando os membros inferiores, em tempos seguidos;
3. Repetir a sequencia de movimentos com tempos distintos (uma perna começa antes da outra) mas a execução das duas é simultânea, trazendo formas assimétricas e aumentando o trabalho de coordenação motora.
Essa movimentação dita fragmentada pode ser explorada de diversas maneiras a partir de estratégias de improvisação/criação. Por exemplo quando trabalha-se a partir de diferentes apoios de partes do corpo com o chão, leva-se em conta por um lado uma certa limitação da parte que está apoiada e detém peso, sendo mais difícil de deslocá-la, em contrapartida, pode-se criar uma espécie de força de resistência do corpo com o chão que fixa a parte apoiada, e possibilita uma maior liberdade das partes com menos peso ou afastadas do chão.
Fragmentar, decompor, separar, dissociar, ir por partes, decompor o caminho, segmentar o espaço, desenhar linhas, etc.... As possibilidades são infindas, mesmo que algumas posições do corpo no chão possam parecer limitadas. O trabalho de apoio do corpo no chão pode aos poucos trazer uma intimidade que transforme essa superfície rígida e imóvel em parceira de trabalho, em extensão do meu próprio corpo, me auxiliando a fazer de um espaço recortado e limitado, sem limites!
Referências Bibliográficas
EARP, Ana
Célia de Sá. Princípios de conexões dos movimentos básicos em suas relações
anátomo cinesiológicas na dança segundo Helenita Sá Earp. In: VI Congresso de pesquisa e
pós-graduação em artes cênicas 2010 (ABRACE).
JEUDY, Henry-Pierre. O corpo como objeto de arte. São
Paulo: Estação Liberdade, 2002.
Créditos das fotos
Coreografia: O avesso da pele
Intérprete-criadora: Taísa Magno
Fotografia: Aline Teixeira
Créditos das fotos
Coreografia: O avesso da pele
Intérprete-criadora: Taísa Magno
Fotografia: Aline Teixeira
sábado, 11 de outubro de 2014
Top 10: árvores extraordinárias. A mais alta, a mais larga, a mais antiga: descubra algumas das plantas mais incríveis da Terra. Por Fábio Paschoal.
Árvores estão constantemente competindo por comida, lutando para deixar descendentes, escapando de predadores. Elas podem escalar as outras para chegar à luz, enganar animais para dispersar suas sementes, e, em último caso, chegam até a matar.
Assim como os animais, as árvores precisam se alimentar, e fazem de tudo para chegar à sua principal fonte de comida: a luz. As sequoias são as maiores árvores do mundo e podem ter mais de 100 metros de altura. General Sherman, uma sequoia de aproximadamente 2.100 anos possui um peso equivalente a dez baleias-azuis.
Na tentativa de chegar ao topo, algumas espécies foram ao extremo e podem até matar. A figueira mata pau começa a crescer em cima de outras plantas. No processo acaba abraçando sua hospedeira, que não consegue mais transportar água e nutrientes, e acaba morrendo.
Algumas delas estão na Terra há tanto tempo que presenciaram o nascer do sol mais de um milhão de vezes. As bristocne pines têm mais de 4.600 anos, e já estavam aqui quando as pirâmides do Egito foram erguidas ou quando Cristóvão Colombo chegou à América. Outras, como as cerejeiras e os ipês, não vivem tanto, mas possuem flores vistosas que embelezam os campos e as cidades pelo mundo.
Infelizmente a maior ameaça a esses seres vivos é o desmatamento. Mas, na luta pela sobrevivência, as árvores desenvolveram estratégias extraordinárias e farão qualquer coisa para continuar existindo.

Baobá, um ecossistema em uma única árvore
O baobá pode sustentar a vida de incontáveis criaturas. Dos minúsculos insetos que perambulam por suas cavidades até o elefante, o maior mamífero terrestre, que procura a água estocada no tronco para sobreviver às duras condições dos desertos da África. Aves fazem seus ninhos nos galhos, babuínos devoram suas frutas, morcegos bebem o néctar de suas flores. É um mundo em forma de planta.

Cerejeira, a beleza e a fragilidade da natureza
A floração das cerejeiras anuncia o início da primavera no Japão. Entre março e maio o país é tomado por diferentes tons de branco e rosa que transformam a paisagem de forma deslumbrante. As árvores ficam floridas durante uma semana aproximadamente, e suas flores simbolizam a beleza e a fragilidade da natureza e da própria vida.

Bristocone pine, a árvore mais antiga
Bristocone pine é uma espécie de pinheiro que vive no limite. Localizados a três mil metros de altitude, nas California's White Mountains, nos Estados Unidos, suportam temperaturas congelantes e ventos tão fortes que só conseguem crescer durante seis semanas por ano. São as árvores mais antigas da Terra. O indivíduo mais velho, Methuselah, foi descoberto em 1957 e acredita-se que tenha aproximadamente 4.600 anos. A localização dessa relíquia é mantida em segredo para evitar vandalismo.

Ipê, uma explosão de cores
A floração dos ipês anuncia a primavera no Brasil. No final de agosto ou começo de setembro, as cidades e os campos são tomados por uma sucessão de cores. Primeiro são os roxos, depois os amarelos (foto), brancos e finalmente os rosas. Cada árvore fica florida durante uma semana, aproximadamente. Então as flores caem, dando um colorido especial ao chão.

Figueira mata pau, a árvore assassina
A figueira mata pau é dispersa por aves e macacos. Quando eles defecam, as sementes frequentemente caem em um galho de outra árvore e começam a se desenvolver. As folhas procuram a luz enquanto as raízes buscam o solo. Durante o processo a árvore hospedeira é envolvida em um abraço mortal. A pressão exercida pela figueira é tão grande que a outra planta não consegue mais transportar seiva e acaba perecendo.Ela pode ser encontrada em regiões tropicais pelo mundo, incluindo o Pantanal, a Mata Atlântica e Amazônia.

Sequoia gigante, a maior árvore do mundo
General Sherman é o nome da maior árvore do mundo em volume segundo o Guinness, o livro dos recordes. A sequoia de 82,6 metros de altura, 25,9 metros de diâmetro, 1.814 toneladas e aproximadamente 2.100 anos se encontra no Sequoia National Park, California, Estados Unidos. Teria madeira suficiente para a produção de cinco bilhões de fósforos. Mas convenhamos, seria um desperdício cortar esse gigante só para acender o fogão de casa.

Cipreste mexicano, a árvore mais larga
A planta mais "gordinha" do planeta é um cipreste mexicano. Com 36 metros de cintura, a Árvore de Santa María del Tule, localizada no estado de Oaxaca, México, ganhou um lugar no Guinness, o livro dos recordes, como a árvore com maior circunferência do mundo.

Castanheira, a prova de que tudo na natureza está conectado
O fruto da castanheira (do Pará), chamado de ouriço, abriga sementes ricas em gordura e nutrientes em seu interior. No entanto, sua casca é tão dura que é impossível de ser aberta pela maioria dos animais. Porém, um pequeno mamífero de dentes fortes é capaz de fazer um buraco nessa armadura impenetrável. A cutia pode encontrar até 30 castanhas lá dentro, o que é muito para comer de uma vez só. As sobras são enterradas na terra, para uma refeição posterior. Mas a memória do pequeno roedor não é perfeita: algumas sementes são esquecidas no solo da floresta amazônica e darão origem a uma nova geração. O ouriço é deixado no chão e, quando começa a temporada de chuvas, se enche de água – a partir do buraco deixado pela cutia – e se transforma em um berçário para sapos e insetos. Nada é desperdiçado.

Embaúba, a pioneira
Quando uma clareira é aberta na floresta, as embaúbas são as primeiras árvores a ocupar o espaço. Possuem folhas largas, capazes de captar muita luz, aumentando a taxa de fotossíntese e, consequentemente, de crescimento. Seus frutos são atraentes para muitas espécies de aves e macacos. Na base de cada folha existe uma glândula de açúcar, um atrativo para formigas, que acabam se instalando no tronco oco da planta. Em troca, o exército de pequenos insetos irá proteger a planta contra os herbívoros.
A embaúba é encontrada desde o México até o norte da Argentina.

Cajueiro, o gigante de Piragi
O Cajueiro de Piragi é o maior do mundo. Uma mutação genética faz com que sua copa cresça sem parar. Hoje seu tamanho é equivalente a um campo de futebol. A árvore dá cerca de 70 mil frutos ao ano e é uma atração imperdível em Natal, Rio Grande do Norte.
Disponível em: <http://viajeaqui.abril.com.br/materias/arvores-pelo-mundo>
Acesso em:16/09/14
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